De Família Soprano a The Deuce, a HBO ganhou a reputação de produzir material adulto, expandindo os limites do que pode ser mostrado na televisão. Euphoria é a nova série que prova essa tendência da emissora.

Dito isso, ainda que seja surpreendente que a nova grande série da HBO, seja um drama adolescente, é menos surpreendente que o canal não esteja “tentando fazer um novo Gossip Girl”, como deixou claro o presidente de programação do canal, Casey Bloys.

Tendo estreado recentemente no canal, Euphoria foi encomendada há aproximadamente um ano. Na época, o Deadline descreveu a série, com produção executiva de Drake, como a história de “um grupo de estudantes do ensino médio enquanto eles navegam pelas drogas, sexo, identidade, trauma, mídias sociais, amor e amizade”.


Zendaya lidera o elenco, interpretando Rue Bennett, uma adolescente se recuperando de seu vício em drogas, lutando para encontrar seu lugar no mundo.

As críticas iniciais foram praticamente unânimes ao elogiarem a série. O The Guardian disse que é “uma das mais audaciosas e eficazes novas séries” do ano, enquanto que a Variety a chamou de “ousada e contundente”, mas que “inegavelmente nos atrai, fazendo dela intrigante demais para ignorar”. Já o TV Guide simplesmente descreveu como sendo “perturbadora de assistir”, mas “inegavelmente linda”.

Controvérsia

Nem toda a publicidade em volta da série foi positiva, no entanto, visto que seu conteúdo mais explícito atraiu bastante controvérsia. Já no episódio piloto há cenas contendo bastante nudez, uso de drogas, estupro e sexo entre dois adolescentes envolvendo enforcamento.

Em entrevista ao THR, o criador e roteirista da série, Sam Levinson, reconheceu que alguns pais iriam “surtar” assistindo Euphoria. Mas antes mesmo de estrear, a série atraiu a fúria de um grupo de pais.

Em uma declaração, o presidente desse grupo, Tim Winter, disse que a “HBO, com sua nova série, Euphoria, focada no ensino médio, parece estar abertamente, intencionalmente, distribuindo conteúdo extremamente gráfico – sexo, violência, profanidade e uso de drogas – para adolescentes e pré-adolescentes”.

Além disso, o THR apontou que o material mais explícito da série teria feito um dos membros do elenco sair da série. O rapper Astro foi substituído após as gravações do piloto, com Algee Smith entrando no seu lugar.

Euphoria na verdade seria ainda mais extrema do que acabou sendo gravado – o piloto ainda abre com o nascimento da personagem de Zendaya, mas a cena originalmente trazia um plano que se aproximava da vagina da mãe da personagem, até chegar à criança no útero.

Além disso, outra cena da série, mais especificamente do segundo episódio, foi encurtada, com a versão original contendo aproximadamente “80 pênis a mais” do que a versão final, conforme revelou o próprio Levinson.

Apesar disso tudo, Bloys insiste que Euphoria “não é sensacionalista”, e que há uma razão por trás de tudo que é mostrado na série.

Baseada em fatos

Por sinal, a série é baseada no próprio passado de seu criador, Levinson, que lutou contra o vício, com muitas cenas da série tendo sido baseadas nas suas experiências pessoais.

“Por parecer que estamos expandindo as fronteiras e a ideia de colocar [esses momentos] na TV pode ser isso”, disse Bloys. “Mas alguém viveu [esses momentos]”.

São cenas como essas que geraram tanta controvérsia quando se trata de Euphoria. De fato, não é a primeira vez que a HBO lida com isso e o fato de que isso está sendo mostrado na televisão é um bom sinal.

Ninguém precisa assistir, mas é importante que temas como estupro, uso de drogas, além das lutas pelas quais os adolescentes passam hoje em dia, sejam mostradas em tela. A série está fazendo isso bem, ao menos por enquanto.

Euphoria está em exibição na HBO.