Por Caio Coletti

Que Rodrigo Santoro é o nosso ator mais bem-aceito e destacado em Hollywood não há mais dúvidas. Depois de um começo lento na terra do cinema (e de aguentar muita gozação por seu primeiro papel americano, sem uma única linha de diálogo em As Panteras Detonando), Santoro engatou a terceira marcha e já contracenou com gente como Will Smith (em Golpe Duplo), Juliette Binoche (em Os 33) e Natalie Portman (no inédito Jane Got a Gun) só no último ano de 2015.

O ator carioca agora está de volta à TV brasileira em Velho Chico, nova novela das 9 da Globo, que estreia nesta segunda-feira (14), e seu retorno foi notado até pela conceituada revista internacional Variety junto com um dossiê sobre a dramaturgia brasileira que é bem mais elogioso do que muitos podem pensar.


Velho Chico é o novo projeto de Luiz Fernando Carvalho, elogiado pelo filme Lavoura Arcaica, de 2001, mas um velho campeão das novelas da Globo, incluindo clássicos como O Rei do Gado e Esperança, além de minisséries como Os Maias e Hoje é Dia de Maria. A nova novela das 9 está sendo saudada como um retorno da Globo ao ambiente rural, depois de anos de histórias francamente mais urbanas sobre a classe média-alta crescente no Brasil.

A novela se passa em dois períodos de tempo, começando em 1960 com Rodrigo Santoro estrelando como Afrânio, o único herdeiro de uma família poderosa do vale do Rio São Francisco, no Nordeste, que se apaixona por uma cantora de bar (Carol Castro). Nos dias atuais, a filha de Afrânio, Maria Tereza (Camila Pitanga) passa por um dilema parecido quando se apaixona por Santo (Rogerinho Costa) e é repreendida pelo pai.

Luiz Fernando Carvalho diz que a trama tem tons políticos e críticos importantes para a situação atual do Brasil, e não é só o conto épico de duas família rivais. O diretor geral da novela disse à Variety que não considera as telenovelas uma forma “menor” de arte.

“Como qualquer tipo de arte, a telenovela depende da forma como é feita. Os criadores desse tipo de trama não deveriam ter vergonha de seguirem a tradição começada por gente como Alexandre Dumas e Gustave Flaubert. Não importa se é ‘alta arte’ ou ‘baixa arte’. Importa a dimensão humana”, disse.

O diretor tem desde 2013 seu próprio galpão dentro da Rede Globo, onde reuniu seu elenco e o restante da equipe por meses para ensaios, decisões de figurino, produção e atuação, entre outras coisas. Cada uma das roupas usadas pelos atores é costurada e envelhecida manualmente, e toda a equipe utilizada em cenas externas, filmadas na região do Rio São Francisco, é local.

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