Muitas conquistas foram feitas acerca da representatividade em Hollywood nos últimos anos, mas ainda há muito a ser trilhado nesse quesito. Estrelas de O Mundo Sombrio de Sabrina e High School Musical deixaram isso bem claro recentemente.

Tati Gabrielle, a Prudence de O Mundo Sombrio de Sabrina, publicou um vídeo no Instagram mostrando ela fazendo seu cabelo para a série da Netflix.

“Todo mundo: ‘Quem faz o cabelo de Prudence?’. Eu:”, escreveu a atriz na legenda, indicando que ela própria faz o penteado da personagem.


O talento de Tati Gabrielle é inegável, mas isso expõe um problema maior em Hollywood: a falta do investimento das produções em cabelereiros para atrizes e atores negros, algo que é apontado pela estrela de High School Musical, Monique Coleman.

A intérprete de Taylor McKessie nos filmes da Disney disse que sua personagem usa bandanas coloridas na cabeça porque os cabelereiros contratados não cuidaram de seu cabelo direito.

“Nós crescemos muito nessa indústria, crescemos muito em representatividade e ao entender as necessidades de atrizes afro-americanas”, disse Monique ao Insider. “Mas a verdade é que eles fizeram meu cabelo mal e porcamente na parte da frente”.

Veja a publicação de Tati Gabrielle, de O Mundo Sombrio de Sabrina, abaixo.

Outros relatos de racismo estrutural em Hollywood

De fato, um artigo do THR, assinado por Sharareh Drury e Lindsay Weinberg, já apontou esse grande problema da indústria. Muitas vezes os estilistas, cabelereiros e maquiadores contratados não têm experiência necessária ou simplesmente atores e atrizes negros não têm pessoas para fazer seus cabelos e maquiagens.

Natasha Rothwell, de Insecure, chegou a dizer que em alguns projetos ela teve de acordar mais cedo para fazer seu próprio cabelo. No início da carreira, comprar os suprimentos necessários para tal acaba custando o que ela ganhava em um dia.

Em relação aos colegas de elenco, brancos, Rothwell disse: “Eles podem acordar, sair da cama e não precisam se preocupar com o que há nas suas bolsas”.

Laci Mosley, de Florida Girls, apontou que outro grande problema é a falta de maquiadores que sabem trabalhar com peles mais escuras nos sindicatos. Os sindicatos de cabelo e maquiagem nos EUA são notoriamente nepotistas e fechados em suas próprias panelinhas.

“Todas choramos em nossos trailers”, disse Mosley. “Sou uma atriz de pele escura em Hollywood e existem basicamente três maquiadoras sindicalizadas que sabem como fazer minha maquiagem e elas são todas ocupadíssimas”.

É certo que o racismo estrutural afeta a (não somente essa) indústria cinematográfica de maneiras diversas. Apesar de todo o caminho trilhado até aqui, ainda há muito para ser percorrido. Os depoimentos dessas artistas deixa isso bastante claro.